Liquidação para a Entrega das Chaves ou Enquanto a Auditoria não Vem. |
Passaram-se algumas semanas desde que a nova diretoria tomou posse. Neste período a esperança dos vascaínos voltou. O orgulho restaurado fez com que os vascaínos saíssem às ruas com suas camisas. Boa parte dos casos em versões antigas, guardadas pela vergonha imposta por uma administração que se serviu do Vasco, ao invés de servi-lo. Nos dias 21 e 28 de junho os vascaínos promoveram
a restauração do clube. Substituímos de uma só
vez a monarquia Miranda e seus súditos, alçados pela vaidade
a candidatos, foram varridos por uma onda democrática Por Amor
ao Vasco. Este feito deve-se registrar em placa de bronze, mas de bronze
novo. O volume de informações desencontradas dificultam o trabalho, os sustos são freqüentes: o despacho do T.C.U. em 2 de julho retomando o terreno do “C.T. de Caxias”, a perda do acordo com o TRT, o descumprimento das normas da Timemania colocando em risco o nosso afastamento, contratos de jogadores sem garantias para o clube – caso Pablo, uma grande quantidade de empregados trabalhando sem registro de contrato de trabalho, o pagamento de valores a empregados além do registrado em seus contratos. Estes são alguns dos problemas deixados pelos irresponsáveis que dirigiam o clube, que encontramos nestes poucos dias. Entre as descobertas levantadas relaciono algumas que nos mostram quem dirigia o nosso clube. As antigas placas de bronze que revestiam a entrada
solene do clube, homenageando vascaínos ilustres como o atleta
Ademar Ferreira da Silva, foram derretidas para que dessem forma à
estátua do “baixinho”. Será que ele concordou
com este assalto a memória deste grande atleta do clube e do
Brasil? Na primeira reunião realizada pela diretoria cessante com a nova diretoria como etapa de uma transição civilizada, o que se viu foi o contrário: a arrogância dos ex-interinos em “exigir” a aprovação de suas contas em troca da ajuda. Imaginem as contas! Nada de apresentar pastas ou contratos. Na sala da vergonha, a sala do antigo presidente, onde se encontram ainda hoje quatro armários de pastas suspensas, cada um com quatro gavetas, todas as gavetas foram entregues vazias, só com as poeiras dos papéis lá anteriormente escondidos. No caixa, as contas em banco se encontravam negativas, com limites estourados, com alguns milhões de dívidas correntes em atraso, sem falar que não havia recursos para o pagamento da folha que venceria no dia 5 de julho. As antecipações das cotas de TV’s
do Campeonato Estadual de 2009 e do Brasileiro 2009, até junho
do próximo ano, não surpreenderam, mas a novidade ficou
para a reunião na TV Globo, onde nos foi informado que este era
o limite das antecipações, não mais podendo se
antecipar antes de novos pagamentos. Antes da eleição, a destruição da sede do Calabouço pela diretoria interina parecia a todos nós o último atentado contra o patrimônio do clube, mas infelizmente não foi. A venda realizada quatro dias antes daquela eleição, da jovem promessa Phillipe Coutinho para o F. C. Internazionale Milano, só foi comunicada a nova diretoria na segunda reunião, realizada dez dias após a posse. Isto, nada mais foi do que outro atentado contra o patrimônio e o futuro do clube. Qual terá sido a verdadeira motivação daquela venda? Vocês acham que foi para ajudar o Vasco? Na quarta-feira da semana passada, dia 23 de julho, na terceira reunião, o ex-interino teve a “ousadia” de apresentar uma confissão de dívida do clube, em favor do ex-vice do futebol, no valor de face de R$4,6 milhões. Por que não apresentou antes? Será que já existia? Esta dívida seria referente ao período 2002/2003! O documento foi assinado por ele e por seu cúmplice de tantos anos de administração, o vice-presidente “boa praça”, que vivia com ingressos no bolso, que apresentava os balanços fraudados e emitia lista de eleitores “fajutos”, a pedido do chefe. O que devemos achar disto. Terá sido para ajudar ao Vasco? Ninguém me respondeu, ainda! No Maracanã, os prejuízos com doações de cerca de 3.500 ingressos por jogo eram enormes, alcançando valores superiores a R$100 mil a cada jogo. Nos jogos em São Januário muitos não queriam pagar ingresso: conselheiros da situação, os remidos da situação e até mesmo Grandes Beneméritos da situação. Até mesmo o ex-presidente do conselho fiscal, no jogo contra o Goiás, não quis pagar o seu ingresso. Logo ele que nunca viu uma irregularidade sequer nos balanços da “sua” administração. Desta forma, porque a torcida deveria pagar? A pergunta que fica é: Quem é que paga a conta? No futebol o elenco é o mesmo, sujeito aos altos e baixos. A “displicência” da diretoria com alguns contratos de atletas emprestados, o inchaço dos últimos dias da folha do futebol seja pelo aumento da quantidade de atletas ou pelo aumento dos salários, as multas rescisórias surpreendentes, colocaram maiores dificuldades aos ajustes, que todos vêem como necessários. Somem-se a isto a liberação de jovens atletas das divisões de base para outros clubes no período entre o dia 22 de junho até a semana da posse, nada disto parece coincidência dentro deste cenário. A transição não tem sido fácil. Mas para todos nós que trabalhamos pela devolução do Vasco aos vascaínos com êxito, não serão estas dificuldades que nos irão parar. Enquanto a auditoria não vem, recebemos as chaves desta forma. Os dias melhores virão. O Vasco, mais que nunca, precisa de todos nós. José Henrique Coelho |