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No Boteco do José (letra) Vamos lá que hoje é
de graça |
As portas que junho abriu (domingo
29 de junho de 2008) O pesadelo acabou! Um vento forte varreu a nuvem negra, de contornos grotescos, que teimava em interpor-se entre o Vasco e o Sol. Embriagada de alegria, a torcida vascaína saboreia o reencontro do Vasco com sua história, com a liberdade reconquistada que, suave brisa, desde o abençoado dia 21 de junho de 2008 envolve a colina histórica. O tempo é de comemoração, mas também de gratidão. Gratidão para com um pequeno grupo de vascaínos autênticos, cujo trabalho paciente e corajoso, por amor ao Vasco, desafiou e venceu o poder totalitário instalado para “durar 100 anos”. Um grupo que já faz parte da lenda: os heróis do MUV. Gratidão para com o ídolo Roberto Dinamite, por ter aceito o combate desigual da ética contra o delírio autárquico e repressivo que tantos vascaínos afastou de São Januário. O tempo é de comemoração, mas também de reconstrução. Reconstrução que vai exigir da massa vascaína a mesma generosidade que, outrora, guiou-a na epopéia inédita que viu nascer São Januário. Reconstrução que implica em compreender que a liberdade não é um estado de tudo ou nada, mas um processo que começa na liberação e se completa na realização. E que, a termo, há de conduzir o Vasco a cumprir seu destino de campeão. O tempo é de comemoração, mas também de reflexão. Reflexão que leva a evocar o poeta Ary dos Santos, que, se vivo fosse, haveria de cantar a ressurreição do Vasco como a de um clube “de tal maneira explorado pelo mando acumulado, pelas idéias nazis, pelo dinheiro estragado, pelo dobrar da cerviz (...)”, e concluir que o renascimento é irreversível e que nada, absolutamente nada, poderá fechar as portas que junho abriu. .*Abraham Bohadana é vascaíno de nascimento, mora na França há séculos e não tem conflito de interesse com nenhum membro da diretoria do Vasco. abraham.bohadana@free.fr |